23.2.11

Exposição Adelaide Lopes Gonçalves

O projeto Artes na Cidade, selecionado no 7º Chamamento Público para projetos expositivos de Artes Visuais da prefeitura Municipal de São Carlos, foi uma grande oportunidade para expor algumas obras da artista plástica Adelaide Lopes Gonçalves. Ao resgatar tal trabalho faz-se uma reflexão sobre a memória e o papel da mulher na sociedade e nas artes, no começo do século XX, no Brasil.

No mês que marca as conquistas da mulher, e se analisa os desafios que ela ainda enfrenta, é um privilégio termos em São Carlos as obras de uma artista pioneira nas artes plásticas, profissão dominada por homens até então.

Nascida em 11 de maio de 1893, no Rio de Janeiro, Adelaide teve a oportunidade de estudar e desenvolver seu talento na Escola Nacional de Belas Artes. Reviver seu passado é tarefa impossível, mas podemos tentar recompor esse período histórico que tinha na arte acadêmica a principal referência artística do país.

Adelaide gostava de pintar retratos e por meio dessas pinturas ela preservou sua sensibilidade artística, criando também uma memória familiar. São esses retratos que desde criança estiveram presentes nos meus primeiros contatos com a pintura artística, na casa de meus avós e de minhas tias. Ainda hoje me impressionam e me fazem pensar na coragem dessa mulher, minha bisavó, de exercer seu talento e amor pela arte, mesmo que seu trabalho tenha sido tão pouco difundido. Por isso gostaria de aproveitar essa oportunidade para homenageá-la não somente enquanto artista, mas enquanto mulher que enfrentou os preconceitos de um século conservador para aquelas que buscavam seus ideais.

Como aluna de Belas Artes, ela especializou-se em desenho e pintura com tinta óleo sobre tela, valorizando a qualidade técnica e o realismo. Paralelamente aos estudos técnicos de suas aulas, e aos retratos concebidos para amigos e familiares, Adelaide também se dedicava aos autorretratos. Parece que são nessas obras que ela se permite maior liberdade no traço, que ganha dinamismo com o uso do giz pastel.

Entretanto, essa Adelaide que se apresenta foi conhecida de poucos aqui presentes. Parece irresistível tentar vislumbrar esse período com o olhar crítico da contemporaneidade, levar nossos parâmetros modernos para a leitura de sua condição social, de seu papel como mãe e mulher, como artista de 100 anos atrás. Mas essa é uma leitura aberta, que nos faz, antes, pensar o presente, nossa própria condição, nossas próprias conquistas. É impossível saber o que tudo isso representava para Adelaide. Pessoalmente, eu gostaria de saber de seus sentimentos, das motivações que a levaram a pintar, a estudar arte em meados de 1912, mas minhas considerações seriam teóricas e subjetivas. Sua obra, entretanto, ainda vive.


Abaixo algumas fotos da abertura, que tambem teve a palestra “Memória, esquecimento e história: as mulheres artistas na I República brasileira” com Ana Paula Cavalcanti Simioni do Instituto de Estudos Brasileiros da USP e a participação do Exmo. Sr. Prefeito Municipal Oswaldo Baptista Duarte Filho para abertura oficial do Mês da Mulher em São Carlos.


Exmo. Sr. Prefeito Municipal Oswaldo Baptista Duarte Filho, Vice-prefeito Sr. Emerson Leal, Secretária de Cidadania e Assistência Social – Rose Mendes, Coordenadora de Artes e Cultura - Telma Olivieri, Coordenadora do LAPREV e neta de Adelaide Lopes Gonçalves – Profa. Dra. Lúcia Cavalcanti Albuquerque Williams, Docente do Instituto de Estudos Brasileiros da USP – Profa. Dra. Ana Paula Cavalcanti Simioni, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Mirlene Severo.


Profa. Ana Paula, Profa. Lúcia Williams e Izis Cavalcanti, curadora.


Família de Adelaide






Palestra com a Profa. Ana Paula


Autorretratos



Fotografias: Mariana Ignatios

Outras fotos

1 comentários:

  1. Me encanta pensar tudo o que nessas pinturas está representado. Adelaide se foi, mas é incrível como é possível perceber sua vida milimetricamente permeada nos fios das telas. Imaginar seus sentimentos diante das pinturas, suas emoções, suas intenções e, sobretudo, seus medos e suas dificuldades frente a um tempo castrador. Sua bisavó vive também em você, pois talento você tem sobrando. Abraços.

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