27.10.10

Série Subúrbia



A série Subúrbia tem como pesquisa a intervenção do homem no ambiente, marcada pelos aspectos negativos dessa relação, como o entulho, o acúmulo de lixo, a destruição e o desrespeito ambiental. Ela expõe a denúncia que meus olhos vêem todos os dias ao passar por esses caminhos, escondidos dos grandes centros, distantes das fotos históricas e ilustrativas das cidades. É um olhar que combina tristeza e culpa. No momento ela se divide em três temas: entulho, madeira e piche, mas pode vir a retratar qualquer ponto urbano que cause desconforto ou alguma revolta silenciosa.

A série é influenciada por dois fatores: um processo artístico/fotográfico que vem se pautando na descaracterização da identidade por meio da abstração e um forte apelo emocional oriundo da minha vivência e experiência com a cidade. Por esses motivos não poderia sucumbir a uma tentativa reducionista e promocional de produzir imagens facilmente reconhecíveis e agradáveis.

A fragmentação vai brincar com novos arranjos, distorcendo a orientação espacial, como se declarasse que a imagem não é importante, que tudo é uma construção, e que a figuração é tão construída quanto a abstração. Essa pode ser parcial, como na série Suburbia – que ainda permite o reconhecimento de seus referentes – ou total, como na série Abstração.

O trabalho tem um forte caráter experimental, primeiramente no sentido de abstrair aquilo que é retratado, de proporcionar novas leituras. Ele também se propõe a enxergar o cotidiano com outro olhar, que não fixa-se na beleza, mas percebe as possibilidades do cotidiano e das adversidades. Por fim, como um projeto que explora o processo artístico e a construção de uma poética, também me leva a pensar em diferentes formatos de exposição e montagem. Não cabe dizer que encerra-se aqui, mas que permite uma constante transformação de suas imagens.













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